Como documentamos
Investigar como a falta de consideração apropriada do autismo pode produzir atingimentos sociogerados e contribuir para uma morte. O vínculo precisa ser examinado em cada caso.
Homenagens e dossiês
As homenagens preservam a vida e a atuação pública da pessoa, com biografia, imagens contextualizadas e referências. Não exigem uma conclusão sobre a causa da morte e não entram em contagens de mortes atribuídas a ações ou omissões. Os registros de pesquisa e as avaliações documentais permanecem reservados nesse formato.
Os dossiês examinam as circunstâncias e o vínculo social ou institucional. As regras de inclusão e o roteiro de seis perguntas abaixo se aplicam a essa análise. Uma homenagem não se transforma em dossiê apenas por estar no memorial.
Quais casos entram nos dossiês
Mortes relacionadas a violência, negligência, abandono, barreiras ao cuidado ou outras ações e omissões sociais ou institucionais pertinentes ao autismo. A presença de autismo e a ocorrência da morte, sozinhas, não demonstram essa relação.
Mortes naturais, doenças e acidentes sem esse vínculo ficam fora do escopo. Uma classificação como doença ou acidente não exclui a investigação de falhas de atendimento ou proteção quando houver elementos documentais pertinentes.
Um roteiro de seis perguntas
- Qual necessidade precisava ser considerada? Identifique a necessidade concreta de comunicação, compreensão, ambiente sensorial, cuidado ou proteção. Registre sua fonte; não presuma uma necessidade apenas por um rótulo diagnóstico.
- O que foi comunicado ou reconhecido, e quando? Registre pedidos, avaliações e informações disponíveis aos interlocutores. Se não há documento sobre isso, diga que não foi possível estabelecer.
- Que ação, omissão ou barreira ocorreu? Descreva o fato, o contexto, a data e a fonte. Distinga o que a fonte demonstra do que ela apenas relata ou alega.
- Como essa situação se relaciona ao desfecho? Organize a sequência dos acontecimentos e identifique quem sustenta a relação: investigação identificada, documentos examinados ou uma pessoa que faz uma alegação. Proximidade temporal, sozinha, não comprova causalidade.
- Quais dúvidas, divergências e outras explicações permanecem? Registre documentos conflitantes, lacunas e limites. Uma hipótese deve continuar identificada como hipótese.
- Que mudança pode responder à falha documentada? Proponha uma medida concreta, o órgão ou serviço a verificar, o fundamento e uma forma de acompanhar sua aplicação. Não prometa que uma medida isolada impediria todas as mortes.
Grau de documentação por afirmação
Na área reservada, cada afirmação pode receber uma avaliação própria, separada para autismo, circunstâncias da morte, barreiras e relação com a morte. A ficha e a pessoa não recebem uma nota geral.
- ★☆☆ — Informação não verificada: pista ou boato sem sustentação verificada; permanece exclusivamente na pesquisa reservada.
- ★★☆ — Relato atribuído: uma fonte identificada faz a afirmação; documentos ou divergências ainda precisam de conferência.
- ★★★ — Evidência documental verificada: documento primário pertinente examinado, com origem, contexto e limites registrados.
Não informado / não avaliado é um estado sem estrelas. O silêncio da família não prova uma causa de morte. As estrelas não são porcentagens de certeza; várias notícias repetidas não aumentam o grau automaticamente. Fonte, data e justificativa acompanham cada avaliação.
Nos dossiês, somente avaliações de duas ou três estrelas marcadas para exibição e revisadas na publicação podem aparecer ao público. Nas homenagens, essas avaliações permanecem reservadas. Informações não verificadas, justificativas reservadas e histórico ficam na administração. Alterar ou arquivar uma avaliação retira a ficha do público até nova revisão. A ausência de uma avaliação publicada em um eixo não prova ausência do fato.
Três avaliações separadas
1. Documentação sobre autismo
- Diagnóstico documentado
- Autodeclaração em vida
- Autismo referido por terceiros
- Hipótese não confirmada
Esses rótulos descrevem a origem da informação disponível. Ausência de laudo público não prova ausência de autismo. O site não realiza diagnóstico póstumo. Hipóteses retrospectivas continuam na pesquisa reservada nesta versão.
2. Evidências do vínculo social ou institucional
- Conclusão de investigação identificada
- Documentos convergentes
- Alegação atribuída à fonte
- Relação ainda não estabelecida
A classificação precisa ser acompanhada de explicação e fontes. Uma conclusão pertence à investigação que a formulou; deve ser atribuída e contextualizada. Várias notícias que repetem o mesmo relato não constituem automaticamente fontes independentes. Não usamos percentuais de certeza calculados pelo site.
3. Situação da apuração
Registre órgão, tipo de documento, data, situação e limites: apuração em curso, conclusão divulgada, decisão ou recurso, quando isso estiver documentado. Uma alegação não deve ser apresentada como condenação. Esta avaliação editorial não substitui apuração oficial.
Como registrar cada fonte
Junto da afirmação sustentada, identifique o título do documento, autor ou entidade, data, URL e página ou seção pertinente. Indique o idioma, a data da consulta e se foi usada tradução. A lista de URLs da ficha deve permitir chegar aos documentos citados. Registre também o que uma fonte não permite concluir.
Use documentos públicos e apenas as informações necessárias à ficha. Não inclua prontuários privados, documentos de identidade, endereços ou detalhes de métodos de suicídio. Fontes externas podem conter informações sensíveis que não devem ser reproduzidas.
Fotografias devem ter origem, crédito e condições de uso conferidos. O crédito identifica a fonte, mas não substitui a verificação das condições de reprodução. Referências e perfis mencionados devem ter links descritivos quando o endereço estiver identificado.
Da pesquisa à publicação
Para uma homenagem, preparar a biografia e suas referências, revisar as imagens e a privacidade e confirmar em Salvar e publicar. Não é necessário preencher uma investigação causal. O conteúdo e os hyperlinks devem ser conferidos na página publicada.
Para um dossiê, seguir o fluxo documental:
- Preparar um rascunho reservado com a história da pessoa, as circunstâncias e as fontes.
- Conferir identidade, escopo, fontes originais, traduções e eventuais divergências.
- Revisar privacidade, linguagem e separação entre fatos, alegações e hipóteses.
- Confirmar a publicação na administração. O programa não verifica a veracidade das fontes.
- Revisar a ficha quando surgirem novas informações. Uma edição retira a ficha do público até nova confirmação; versões anteriores ficam no histórico reservado.
O acesso administrativo atual é único. Não anunciamos revisão independente por duas pessoas quando isso não ocorreu. Os campos da ficha devem conter somente texto apropriado à publicação.
Uma revisão piloto antes de ampliar
Comece por uma ficha com documentos originais acessíveis. Use as seis perguntas, deixe as lacunas explícitas e confira o resultado antes de publicar. A pesquisa inicial é uma coleção de pistas e rascunhos, não uma lista de casos confirmados.
Limites do levantamento
As fichas não constituem uma amostra representativa da mortalidade mundial. Lacunas de idioma, acesso a documentos e registro precisam ser reconhecidas. Contagens brutas não permitem comparar o risco entre países.
